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Fotos: Luana Caroline / Rádio Pomerode

Luciano Hang manifesta apoio à receita tradicional da Linguiça Blumenau


Na manhã desta quarta-feira, 03 de junho, o empresário Luciano Hang, fundador da rede de lojas Havan, visitou a fábrica da Olho Embutidos e Defumados, em Pomerode.

A agenda estratégica ocorreu em meio à forte repercussão sobre as novas diretrizes regulatórias que ameaçam descaracterizar a receita secular da tradicional Linguiça Blumenau, considerada um dos maiores patrimônios gastronômicos e imateriais do Vale do Itajaí.

Após conhecer as instalações da fábrica, Hang manifestou apoio irrestrito aos produtores locais e criticou duramente a interferência de órgãos reguladores na receita típica.

“Nós temos que defender os nossos princípios, os nossos valores, as nossas tradições de Santa Catarina, a nossa cultura culinária. A Linguiça Blumenau tem 125 anos de tradição e ninguém vai mexer na nossa linguiça”, declarou o empresário, comparando a mobilização atual à defesa que fez recentemente em favor dos pescadores na causa da tainha no estado.


Hang relembrou a história do produto e disparou contra decisões técnicas de gabinete. “Existe um bando de burocratas, dentro de uma sala com ar condicionado, querendo mudar uma receita de mais de um século de sucesso”.

Para ele, as normativas externas devem respeitar a autonomia e a identidade cultural catarinense.

O sócio-proprietário da Olho Embutidos, Luiz Bergamo, endossou a relevância de proteger o legado deixado pelos colonizadores alemães.

Bergamo ressaltou que a categoria não contesta a necessidade de fiscalização, mas busca salvaguardar a história e a identidade do embutido.


“A criação da Norma Interna Regulamentadora (NIR) em 2018, pela Secretaria de Agricultura de Santa Catarina, foi um marco essencial para regulamentar e tirar da clandestinidade os produtos tradicionais que não possuíam um Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) em âmbito federal. Além disso, o atual secretário da Agricultura do Estado tem se mostrado bastante receptivo a ouvir e avaliar as demandas do nosso setor”, destaca.

O impasse

O conflito técnico se acentuou após a publicação da Portaria nº 14/2026. A normativa estadual buscou alinhar os critérios locais a exigências técnicas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), reduzindo o limite máximo permitido de gordura na composição da Linguiça Blumenau, de 42% para 30%.

Fabricantes locais e a Associação das Indústrias Produtoras de Linguiça Blumenau (Alblu) alertam que a imposição desconfigura completamente o perfil sensorial, a textura e o padrão de defumação artesanal que consagraram o produto.

A iguaria obteve, em 2024, o selo de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o qual reconhece e protege juridicamente as qualidades físicas, químicas e territoriais originais do embutido fabricado em 16 municípios da região.


Diante do risco econômico e cultural para o Vale do Itajaí, a discussão escalou rapidamente para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

O deputado estadual Napoleão Bernardes apresentou um projeto de decreto legislativo para tentar sustar os efeitos da nova portaria. O objetivo é paralisar a medida em âmbito estadual e articular apoio com a bancada federal em Brasília, para restabelecer os parâmetros históricos definitivos da iguaria.

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