O mundo do esporte vem sofrendo, nas últimas semanas, com diversas manifestações racistas e xenofóbicas. No Brasil, crimes que envolvem discriminação, preconceito ou ofensa baseada em raça, cor, etnia, religião ou origem, são enquadrados na Lei nº 7.716/1989 (Lei do Racismo) e no Artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal.
Foi exatamente uma situação como essa que vivenciou o árbitro Washington Barbosa Lemos, no último sábado, dia 14, durante a final do Campeonato da Liga Desportiva Luisalvense, entre Juventude e Faixa Azul.
Integrante do quadro de arbitragem da Liga Pomerodense de Desportos (LPD), Lemos atuava na partida como árbitro da Federação Catarinense de Futebol, por se tratar de uma competição federada.

Conforme seu relato, aos 21 minutos do primeiro tempo, ao assinalar uma falta, um torcedor do Juventude proferiu a seguinte frase, da arquibancada: “Dá um cacho de banana pra ver se ele apita melhor”.
Neste momento, a arbitragem parou a partida e solicitou a presença da Polícia Militar, que identificou o autor. Ainda segundo Lemos, a ofensa foi ouvida pelo auxiliar, árbitro assistente e pessoas à volta do autor. Logo após, ele foi mandado embora do estádio.
O fato está registrado em Boletim de Ocorrência, registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Blumenau, para que seja dado prosseguimento ao caso.
“Na hora, é uma mistura de sentimentos, raiva, indignação, revolta. Mas, pela nossa postura, temos que deixar esses sentimentos de lado e agir com a razão. Temos todas as orientações dentro do âmbito do futebol para essa situação, como os protocolos do racismo, que devem ser seguidos, tanto para jogos profissionais, quanto para amadores. Na hora, eu fiz a melhor coisa que deveria ser feita, que foi ter acionado o policiamento e identificado o autor”, relata o árbitro.
Para ele, a pessoa que proferiu a injúria racial contra ele precisa arcar com as suas responsabilidades.
“Ainda acredito na justiça e ela será feita, dentro dos parâmetros legais. Por isso, já repassei tudo o que tinha que repassar para as autoridades competentes. Agora, é esperar os trâmites necessários que o caso requer”, finaliza.
Nota de repúdio
Em suas Redes Socais, o Juventude Futebol Clube manifestou solidariedade ao árbitro Washington Barbosa Lemos pelos insultos racistas proferidos por um torcedor na partida de sábado.
“O mesmo foi brilhantemente identificado pela própria equipe de arbitragem que solicitou policiamento que prontamente atendeu a ocorrência para os procedimentos necessários. O clube manifesta, ainda, lamentação pelo caso e reforça o seu compromisso no combate ao racismo ou qualquer outra forma de discriminação”, diz o texto.






