O currículo de Ferrão reúne conquistas que o colocam entre os grandes nomes do futsal mundial. Natural de Chapecó, o atleta foi eleito três vezes o melhor jogador de futsal do mundo, conquistou a Copa do Mundo de 2024 com a Seleção Brasileira e defendeu o Barcelona por cerca de 10 anos.
O catarinense esteve em Pomerode para ministrar uma clínica de futsal voltada a crianças e adolescentes, em uma iniciativa promovida pelo Madruga Futsal. Durante a passagem pelo município, Ferrão conversou com a Rádio Pomerode e relembrou o início da carreira, a adaptação ao esporte profissional no exterior, as principais conquistas e os projetos para o futuro.
Na entrevista, o atleta também destacou a importância do apoio familiar, da dedicação e da formação esportiva na trajetória de quem deseja chegar ao alto rendimento. Além disso, comentou a possibilidade de atuar pelo Madruga no Campeonato Municipal de Futsal de Pomerode, no ano que vem.
Rádio Pomerode – Como o futsal entrou na sua vida e quais foram as principais influências no início da carreira?
Ferrão – Eu comecei no esporte muito cedo, aos cinco ou seis anos, incentivado pelo meu pai, que também foi jogador de futebol profissional. Cresci em um ambiente ligado ao esporte e tive a oportunidade de seguir pelo futebol de campo, mas desenvolvi uma paixão pelo futsal, principalmente pelo dinamismo, pela velocidade e pelo contato constante com a bola.
RP – Qual foi a importância da sua família para que você alcançasse o nível profissional?
F – Meu pai e minha mãe sempre me apoiaram. Nas categorias de base, esse suporte é fundamental, porque o atleta precisa conciliar os treinamentos com os estudos e depende muito da família para manter a rotina. Cheguei onde cheguei também graças ao apoio que recebi deles desde o início.
RP – Você saiu de casa muito jovem e construiu parte da carreira no exterior. Como foi esse processo de adaptação?
F – Saí de casa aos 14 anos para seguir no esporte e, aos 18 para 19 anos, fui jogar na Rússia. Foi um período de muito aprendizado, porque precisei desenvolver independência desde cedo. Lá, a adaptação ao frio e ao estilo de jogo foi um dos principais desafios. Depois, na Espanha, encontrei um futsal com forte componente tático, que contribuiu muito para a minha evolução como atleta.
RP – Você atuou em ligas com características diferentes. O que aprendeu em cada uma delas?
F – O Brasil se destaca pela qualidade técnica e pela capacidade individual dos jogadores. Na Rússia, o jogo é mais físico, enquanto na Espanha, existe uma valorização muito grande da parte tática. Essa experiência em diferentes escolas de futsal foi importante para ampliar minha compreensão do jogo e melhorar meu desempenho dentro de quadra.
RP – Você foi eleito três vezes o melhor jogador de futsal do mundo. Como avalia essa conquista?
F – Foi uma honra. Trabalhei muito para chegar àquele nível, aproveitei as oportunidades e tive a felicidade de alcançar um reconhecimento que muitos atletas desejam. Considero-me privilegiado, porque sei que existe muito esforço envolvido, mas nem todos conseguem chegar a esse patamar.

RP – Além de chegar ao topo, é difícil manter o desempenho por tantos anos?
F – Sem dúvida. Chegar ao alto nível já é difícil, mas permanecer nele pode ser ainda mais desafiador. Quando um atleta ou uma equipe começa a conquistar resultados, os adversários passam a estudar mais o jogo e a se preparar de maneira diferente. Manter a regularidade exige trabalho, concentração e dedicação constantes.
RP – Qual foi o significado da conquista da Copa do Mundo de Futsal de 2024, especialmente com a vitória sobre a Argentina, na final?
F – Ser campeão mundial é o sonho de qualquer atleta. Conquistar o título diante da Argentina e ainda marcar um gol na final, tornou aquele momento ainda mais especial. Existe uma grande rivalidade entre as seleções, mas ela faz parte do esporte. Dentro de quadra, cada jogador defende o seu país, e essa competição torna os confrontos ainda mais marcantes.
RP – Você anunciou uma nova etapa da carreira, com participação na Kings League. Quais são os planos para os próximos anos?
F – Deixei o futsal profissional para viver essa experiência na Kings League e comecei a desenvolver projetos com clínicas e outras atividades esportivas. Ainda tenho vontade de voltar a disputar competições profissionais por um período, inclusive, buscar mais um título da Liga dos Campeões. Também quero continuar ligado ao esporte e compartilhar minha experiência com as novas gerações.
RP – Qual é a importância de trabalhar os fundamentos e o aprendizado das crianças antes de priorizar os resultados?
F – Durante minha passagem pelo Barcelona, desenvolvi um projeto voltado ao ensino dos fundamentos para crianças, sem priorizar a competição. Muitas vezes, existe uma preocupação excessiva com os resultados, quando o mais importante nessa fase é aprender. A formação adequada é o que permite ao jovem evoluir e alcançar resultados no futuro.
RP – Como foi a experiência de estar em Pomerode e realizar essa clínica com os jovens?
F – Fico muito feliz com o carinho recebido na cidade. Agradeço ao pessoal do Madruga pela oportunidade e espero voltar mais vezes para realizar novas clínicas e fortalecer essa conexão com Pomerode.

RP – Como você avalia o trabalho desenvolvido pelo Madruga Futsal em Pomerode?
F – É muito positivo encontrar pessoas que apoiam o esporte, acreditam no seu desenvolvimento e buscam criar oportunidades. Recebi boas referências sobre o pessoal do Madruga e considero importante essa iniciativa de investir no futsal e ampliar as possibilidades para os atletas.
RP – Existe a possibilidade de você vestir a camisa do Madruga no Campeonato Municipal de Futsal de Pomerode?
F – Estamos conversando sobre essa possibilidade. Desde os primeiros contatos com Gabriel e Luiz, alinhamos a ideia de construir essa parceria para o próximo campeonato. Ainda precisamos avançar nas conversas, mas existe uma possibilidade concreta de eu atuar pelo Madruga.
RP – Que mensagem você deixa para as crianças e os adolescentes que sonham em se tornar jogadores profissionais?
F – O talento, sozinho, não é suficiente. Ele representa uma parte importante do caminho, mas é preciso ter foco, trabalhar e manter a dedicação. O desenvolvimento esportivo exige tempo, disciplina e disposição para aprender continuamente.
Confira acima a entrevista em áudio, na íntegra.




