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Foto: Divulgação / Pomerwasser

Estudo sobre saneamento ajuda a explicar os desafios atuais de Pomerode

Quando o Plano Municipal de Saneamento Básico de Pomerode foi elaborado, em 2019, o município recebeu um retrato bastante detalhado de sua realidade sanitária.

A pesquisa, realizada no ano anterior com 1.777 residências, revelou que a cidade possuía ampla utilização de sistemas individuais de tratamento de esgoto, mas também expôs fragilidades que ajudam a compreender os desafios enfrentados até hoje na implantação da rede pública de coleta e tratamento.

Os números mostram que 91,7% das residências possuíam fossa séptica, enquanto 82,5% contavam com filtro anaeróbio e 87,6% utilizavam caixa de gordura. Em outras palavras, a maior parte da população não estava sem tratamento de esgoto, mas dependia exclusivamente de soluções instaladas em cada imóvel, realidade comum em municípios que ainda não dispunham de um sistema público estruturado.

O problema identificado pelo Plano estava menos na existência desses equipamentos e mais na forma como eram mantidos. Mais da metade dos moradores afirmou não realizar a limpeza periódica da fossa séptica, e 36,6% declararam nunca ter feito esse procedimento.

Sem manutenção adequada, os sistemas perdem eficiência e deixam de cumprir plenamente sua função de proteger a saúde pública e o meio ambiente.

Outro dado preocupante dizia respeito à destinação final do efluente. Cerca de 70% dos entrevistados informaram que o lançamento ocorria em redes de drenagem pluvial, rios ou córregos.

Embora parte desse esgoto passasse previamente por sistemas individuais de tratamento, a própria pesquisa alertava que a falta de manutenção comprometia seu desempenho, aumentando o risco de impactos ambientais.

Esse diagnóstico tornou-se uma das principais referências para o planejamento do saneamento no município. Em 2026, quase três anos após o início da concessão dos serviços à Pomerwasser Ambiental, ele continua atual por mostrar o ponto de partida da transformação que está em curso.

Hoje, o maior desafio é substituir, gradualmente, milhares de sistemas individuais por uma rede pública de coleta e tratamento de esgoto.

O contrato de concessão estabelece como meta atender 90% da população com esse sistema ao longo do período previsto. No entanto, atualmente apenas cerca de 5% da cidade está efetivamente interligada à rede pública, evidenciando que a universalização do serviço é um processo de longo prazo.

Essa diferença entre a situação atual e a meta contratual não representa um atraso isolado, mas reflete a complexidade de implantar uma infraestrutura inexistente durante décadas.

Construir redes coletoras, estações elevatórias, interceptores e estações de tratamento exige investimentos elevados, execução de obras em diversas regiões da cidade e, posteriormente, a ligação dos imóveis ao novo sistema.

Ao revisitar os dados do Plano Municipal de Saneamento Básico, fica evidente que a transformação do saneamento em Pomerode vai muito além da construção de tubulações.

Trata-se da substituição gradual de um modelo baseado na responsabilidade individual dos moradores por um sistema público, com controle técnico permanente, maior eficiência ambiental e capacidade de acompanhar o crescimento da cidade.

Mais do que um registro histórico, o diagnóstico de 2019 continua servindo como parâmetro para medir a evolução do município.

Ele mostra de onde Pomerode partiu e ajuda a dimensionar o tamanho do desafio que ainda precisa ser vencido para que a cidade alcance a universalização da coleta e do tratamento de esgoto, uma das metas mais importantes para a preservação dos rios, a saúde pública e a qualidade de vida das próximas gerações.

Fonte: Ascom / Pomerwasser Ambiental

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