Santa Catarina deve registrar aumento no volume de chuva e mudanças no padrão de temperatura no segundo semestre deste ano, com a atuação do El Niño. A previsão foi definida no 240º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Secretaria da Proteção e Defesa Civil estadual, da Epagri/Ciram e do AlertaBlu, além de pesquisadores do IFSC e da UFSC.
De acordo com os meteorologistas, ainda não é possível indicar com precisão quais regiões do estado serão mais afetadas nem quando os impactos serão mais intensos. Ainda assim, a tendência é de aumento na frequência e no volume de chuva no Sul do Brasil, padrão típico provocado pelo fenômeno. Esse cenário eleva o risco de alagamentos, enxurradas e cheias em Santa Catarina, especialmente na primavera.
Até o início do segundo semestre, entretanto, o tempo deve ser mais seco. Para abril e maio, a previsão indica chuva entre normal e abaixo da média, o que mantém a atenção em áreas com escassez hídrica. A partir de junho, com a atuação do El Ninõ, os volumes tendem a subir.
Em relação às temperaturas, a tendência é de queda gradual ao longo dos próximos meses, especialmente nas mínimas. Ainda assim, os valores devem permanecer acima da média para o período. Episódios de frio mais intenso são esperados a partir da segunda quinzena de maio, porém de forma menos persistente, com entradas de ar frio mais curtas e intercaladas por períodos de aquecimento. Esse comportamento é típico de anos de El Niño, quando o inverno registra temperaturas acima da média e incursões de frio menos duradouras.
O que é o fenômeno El Niño
O El Niño é um fenômeno climático marcado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico na região próxima à linha do Equador. Esse aquecimento deve alcançar pelo menos 0,5 °C acima da média e persistir por vários meses, interferindo diretamente na formação de nuvens e na ocorrência de chuvas na região tropical do Pacífico. Como a atmosfera funciona de forma integrada, essa mudança altera a circulação de ventos e a distribuição de calor e umidade em diversas partes do mundo.
O fenômeno oposto é chamado de La Niña. Nesse caso, ocorre o resfriamento das águas do Pacífico equatorial, o que também provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura, mas com efeitos diferentes dos observados durante o El Niño.
Antes mesmo de ser estudado pela ciência, o El Niño foi identificado por pescadores na costa do Peru e do Equador. Eles observaram que, em períodos de águas mais quentes, a quantidade de peixes diminuía, prejudicando a pesca. Como esse aquecimento costumava ocorrer próximo ao período do Natal, o fenômeno passou a ser chamado de “El Niño”, expressão em espanhol que significa “o menino”, em referência ao Menino Jesus.
Com o avanço dos estudos científicos, foi possível compreender que esse aquecimento não é um evento isolado do oceano, mas um fenômeno de grande escala que também afeta a atmosfera e o clima global.
“A ocorrência do El Niño é irregular. Não há um intervalo fixo entre os episódios, mas, em geral, eles se repetem a cada dois a sete anos. A duração também pode variar. Normalmente, o fenômeno persiste entre nove meses e um ano, embora existam casos mais prolongados, como o evento registrado entre 2015 e 2016”, explicam os meteorologistas Nicolle Reis e Caio Guerra, da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.
Os impactos do El Niño
Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as partes do mundo. Em algumas áreas, a chuva passa a ser mais persistente e volumosa, enquanto outras enfrentam períodos mais secos. “É importante esclarecer que o El Niño não causa um evento extremo específico, mas aumenta a probabilidade de determinados padrões de tempo”, ressaltam os meteorologistas da SPDC/SC.
No Sul do Brasil, o fenômeno está associado a temperaturas mais elevadas, principalmente na primavera e no verão. Nesses períodos, há maior frequência de dias quentes e de ondas de calor, com temperaturas acima da média. Além disso, episódios de chuva volumosa e tempestades severas passam a ser mais frequentes, especialmente na primavera.
Ainda, em Santa Catarina, o aumento do calor e do transporte de umidade da região amazônica, que geralmente acontecem na primavera, podem ocorrer ainda no final do inverno, favorecendo a formação de tempestades mais cedo do que o habitual. Com isso, cresce a frequência de temporais, alguns com intensidade significativa, acompanhados de chuva intensa, rajadas de vento e granizo.
No estado, o período mais crítico costuma se concentrar entre setembro e novembro, quando há maior risco de ocorrências associadas à chuva volumosa, como enxurradas, elevação dos níveis dos rios e inundações.




